Dienstag, Juni 26

"e preciso poder ficar em silêncio sem ninguém perguntar o que eu tenho
eu não tenho nada.
talvez seja esse o problema."

Tirei daqui. Eu passei um tempo sem ler porque achava os textos muito... mais ou menos. Mas acho que agora são bons, bem melhores, daqueles que a gente vai atrás porque sabe que não é todo mundo que dá conta de escrever igual. Na verdade, a gente entende que só alguns dão conta dessa precisão em palavras para dizer de coisas que não são objetiváveis. Enfim, eu também podia ler de novo sem qualquer justificativa melhor senão o fato de que estou gostando agora. Ponto.

Donnerstag, Juni 21

Reencontrei aquelas pessoas que ainda fazem o que eu desisti faz tempo: escrevem. E estão melhores, maiores, lá onde eu queria estar. Não sei acertar esse passo, pensei. Penso ainda. Não sei que passo é esse das pessoas que não precisam parar de viver para realizar coisas. Elas encontram os caminhos. Eu não. Quase acreditei que podia caminhar sozinha, mas nem isso acredito mais. Caminho, é fato, mas não acerto o passo. Precisava de uma companhia daquelas que entendem de ritmo e matemática. Só assim para me acertar.

Montag, Juni 18

As feministas que me desculpem, mas instalar prateleiras não é serviço de mulher. Posso provar igualdade trocando pneu, consertando chuveiro, tomando a iniciativa. Nunca mais instalando prateleiras. Da próxima vez, quem quiser aproveitar o momento para reafirmar sua masculinidade é meu convidado de honra. Prateleiras: nunca mais.

Samstag, Juni 16

"ai, não me deixe aqui
o sereno dói
eu sei, me perdi
mas êi, só me acho em ti".
Será que se eu pedir várias vezes ele aceita se casar comigo? E agora? Agora? Agora aceita? E agora? Agora pode? E agora? E...

Montag, Juni 11

Tento me reaproximar de Theo. Não é uma pessoa fácil de lidar, sequer tenta sê-lo. Andamos distantes desde que fiz aquela pergunta. Não me respondeu até hoje e acho que o faz por querer. Nunca, nunca, nunca me dá respostas. Preciso ser obsessiva para vencer sua insistente opção por ser prolixo. E ele sempre escapa. Sempre. E anda escapando da minha pergunta. Sei que ele jamais me dirá que sim ou não, um porque então seria querer o céu. Queria uma relação mais fácil. Sei que ele me faz forte como ninguém o faria. Me ensina a resistir, insistir, desistir sem vergonha. Ao mesmo tempo descortina coisas que eu talvez preferisse não saber. No entanto eu permaneço por perto. Descuido-me por um momento e já me vejo perdida em suas palavras em busca do menor sinal de reciprocidade. Percebo que ele circula minha pergunta, provoca, para em seguida mergulhar novamente em sua hermetia característica.

(...perguntei se podemos ter certeza do desejo humano por liberdade.)

Freitag, Juni 8

E da janela do ônibus eu vi esse desenho na parede. Pena que eu não possa colocar aqui. Mas era lindo e estava escrito assim: "fools make the best lovers". Ou talvez seja só eu mesma tentando retomar a fé nas pessoas... ando estranha.

Sonntag, Juni 3


... fiquei pensando porque em toda imagem de desespero aparecem mãos. sim, mãos. então fui procurar. quase todas, exceto uma. encontrei-a, infelizmente, sem créditos ao autor.
É o tipo de coisa que me faz pensar duas vezes se é a filosofia e não a força que teriam potencial de mudar alguma coisa nesse mundinho de merda.
Sou incapaz de palavras difíceis. Lembro (e falo como se tivesse tanto tempo assim) da minha primeira turma de estudantes. Eu, professora, de mochila e conga. Eles ali, meio que duvidando do meu conteúdo intelectual. Se dissesse palavras difíceis, todas empilhadas numa mesma frase, ainda que sem sentido, impressionariam. Optei por não fazê-lo. Não gosto das difíceis. São exatamente como as fáceis mas não chegam a lugar algum. Quando chegam, quase sempre acertam aqueles que as usam para impressionar. Também não gosto desses. Nem destes, dessas ou destas. Nem de porquês, por quês, por ques ou porques. Nem de outrora e pífio. Também deixei de gostar de inexorável depois que descobri que o modo correto de dizer é inezorável, assim, sem aquele charmezinho do x no meio da palavra. Gosto menos ainda de quem sabe diferenciar ôntico e ontológico, ainda que tenha que repensar esta frase por gostar de alguns que diferenciam. Eu preciso de dicionário. Há quem diga que eu transito com louvor entre as palavras dignas de uma cruzadinha nível A, mas discordo. Nunca comprei-as por achá-las enfadonhas.

(... um post característico de quem está obrigada a permanecer em casa num sábado à noite).